sexta-feira, 25 de julho de 2014

Only Memories


 E se deixaram, o tempo passou como de costume como ele sempre passa. E as coisas mudaram, e já não voltam. Deixaram de ser crianças e escreveram os seus destinos. Se mudaram, se distanciaram, se distrairão, e se trairão e se esqueceram  (ou não? ). E tudo é novo. Descobriram o mundo a sua frente, e fizeram a escolha de fazer novas escolhas, e deixar o que ficou no passado pra trás. E como nada torna a ser igual, jamais hão de ver aqueles novamente.  
  Ela mulher ( talvez ) , ele jamais deixou de ser um menino. O menino dela, que agora é do mundo. E suas almas projetadas um dia para se amarem, hoje não passam de conversas e lembranças ( ou não) . 
  Onde era amor, agora nem se sabe mais. E desde o principio sabiam que não teriam futuro. Era pra ser de momento, assim como foi. Era pra ser inesquecível como foi de fato. Mas era só isso e não adiantava lutar contra, o final do filme chegou naquela tarde. Era ultima vez que se veriam, e assim foi. E se o plano era esse, não adianta tentar mudar, pra que insistir. Desistiram.
  E quando o escritor da vida escreveu aquele romance, colocou dois universos diferentes juntos durante algumas semanas mas com prazo de validade curto. Mas foi mais que o suficiente para se amarem e deixarem de lado tudo o que os diferenciava. Mas como já estava escrito isso não podia durar muito tempo, e logo, os fatos os separaram. E se foram. E se foram pra não mais voltar.  
  Talvez se arrependam das decisões tomadas, mas se o autor escreveu esse fim quem são eles para interferirem? Aceitaram ( ou não ). Seguiram.
  Algumas vezes maquinaram de mudar o desfecho, mas se algo é escrito nada pode mudar, então os planos nunca deram certo. Hoje, quem os vê nem imagina, e mesmo se conhecer não acredita. Ele e ela, diferentes de tal forma que ninguém consegue os imaginar juntos. E no fundo, ambos também reconhecem.
 Ele é do mundo, das coisas bagunçadas, da realidade e a vida conturbada e ela?  Ah, ela é do seu próprio mundo, das coisas arrumadas e tudo em seu devido lugar, ela é da rotina e amante dos seus sonhos.
  E agora eles só existem na remota lembrança em suas cabeças, em alguma musica que toca lá longe e os faz lembrar um do outro por alguns segundos. E existem naquele lugar, aquele que ficou marcado como sendo deles próprios. E isso registrado, marcado de uma maneira que o tempo jamais apagou. Mas são apenas lembranças, e algumas marcas que um dia vão deixar de existir  e se conformaram e hoje tocam suas vidas pra frente, e só pra frente. E se deixaram, o tempo passou como de costume como ele sempre passa.

Débora Kauane. 
 

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