quarta-feira, 28 de março de 2018

    E em algum momento depois de tantos tombos perdemos a vontade de continuar. Não tem mais a mesma graça, menos ainda o ânimo de seguir sendo melhor por algo que é imutável, estagnado.
    Com muita sorte, é possível que tenhamos a sensibilidade de entender que algumas coisas não merecem nosso esforço, assim nasceram e assim hão de morrer, e pouco ou quase nenhuma diferença perceberão na sua luta, mesmo que isso custe um tempo enorme da sua vida.
     Aquela sensação de desapontamento ao ver que por mais que as coisas estejam diferentes nada mudou, por mais que tenha passado o tempo, o passado ainda é presente, e você não é nada. Não significa nada, e nada do que possa fazer tem o poder de mudar isso. 
     E o mundo desaba novamente, tudo bem: você é forte, eles dizem. E tudo segue em frente. Eles podem, você não! Não tem o direito de se entristecer, nem de errar. Não... Levanta a cabeça e continua se superando. Junta forças e levanta, finge que não tem nada acontecendo. Eles podem estar errados, você é louca. Tá se fazendo de doida.
   E perdemos a vontade de lutar, de ser diferente, de amar mais do que pode caber amor no peito. E todos os planos se desfazem como poeira ao vento. Junta os cacos dentro do peito, e levanta a cabeça. Recomeça, é só isso que se pode fazer agora. E vai continuar doendo, assim como todas as outras feridas que ainda não sararam, mas não dá pra parar. Continua.
    D.k