E me olhou nos olhos com os olhos fundos, castanhos e vazios; E me sorriu aquele mesmo sorriso amarelo e sem graça de sempre; E me fitou com o mesmo rosto pétreo de sempre, branco, pálido e vazio; E me despiu como sempre, e me deixou sem chão como já é de praxe; E foi embora como de costume.
Débora Kauane.
sábado, 19 de setembro de 2015
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
terça-feira, 8 de setembro de 2015
" Mas chegou um mugido de longe, estremeceu um coelho no mato, uma folha caiu. Para a surpresa do tempo, movia-se o mundo. (...) E ali, inclinado sobre a vida, descobriu aquilo que nunca suspeitara. Não era ele, com seus passos, que ordenava tudo, que comandava o salto do grilo, o vento na espiga, as pás do moinho. Mas eram eles, grilo e espiga, cada um deles que, com seus pequenos movimentos, faziam os passos do Tempo (...) "
No colo do verde vale, Marina Colasanti.
No colo do verde vale, Marina Colasanti.
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
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Fecho os olhos, você vem lá de longe a passos lentos...
Consigo sentir o peso dos teus olhos fundos sobre mim. Eles me despem. Sinto-me completamente nua e cada parte do meu corpo devorada. Ao se aproximar a uma distancia em que já é possível me tocar, teus braços me envolvem num laço único. Quente e cheio de afeto, um abraço que parece reter o universo.
O mundo já pode desabar, estou onde sempre quis estar, no único lugar em que poderia estar. Meu abrigo da chuva, esconderijo do planeta terra - o lugar mais seguro já projetado.
E na tua ancia, quase meninice, me beija o rosto. Voraz e afetuosos teus lábios percorrem as curvas do meu sorriso, pousam sobre minha face como borboletas em marcha lenta. Não temos pressa. Cada beijo é mais recheado de carrinho, e um pós outro eles tornam-se cada vez mais quentes. Entre um beijo e outro brota dos lábios um sorriso meio bobo.
Enquanto a face é brotoada de beijos tuas mãos encontram as minhas, tão natural como se fosse instinto, desses que a ciência não dá explicações. Os dedos se cruzam um a um como num balé, se encaixam perfeitamente como se fossem modelos projetados.
Finalmente exaustos de percorrerem toda extensão da face teus lábios encontram conforto entre os meus e tua língua parece querer decifrar na minha algum código escondido. Longo, quente, úmido, cheio de desejo. Algo que jamais provei igual. Uma conexão rara.
Enquanto nos envolvemos entre beijos, tuas mãos percorrem lentamente minha coluna, cada vértebra como se fosse para checar se elas estão todas lá. Elas descem sem pressa nenhuma, o tempo para até que elas cheguem na cintura onde são cautelosamente depositadas e exercem sob o meu tronco uma pressão, como se tentassem se fundir em mim, tornar-nos apenas um.
Perdidos devido a tanta informação surgem novamente os sorrisos, entre os fervorosos beijos, como se fossem confirmação de que não é apenas um sonho. Você sorri, nós sorrimos. Trocamos olhares silenciosos - eles se entendem- e voltamos de onde tínhamos parado.
Minhas mãos se perdem entre acariciar o teu rosto e teus cabelos. Não tem lógica a forma como tudo se encaixa, nem tampouco há como traduzir em palavras o que se passa por dentro dos nossos corpos. Acelera o coração, e até eles parecem bater acelerados em sincronia.
Me abraça forte e novamente o mundo para. Me olha nos olhos, sussurra "minha pequena"; Sorri e me aperta entre os braços mais uma vez. Me dá a mão e finalmente diz - "Vamos?", e eu boba, esboço apenas um sorriso e confirmo com a cabeça.
Concluímos nosso trajeto de costume enquanto conto como foi a semana e sou calada muitas vezes entre olhares que me despem e beijos que me tiram do chão.
Débora Kauane.
Consigo sentir o peso dos teus olhos fundos sobre mim. Eles me despem. Sinto-me completamente nua e cada parte do meu corpo devorada. Ao se aproximar a uma distancia em que já é possível me tocar, teus braços me envolvem num laço único. Quente e cheio de afeto, um abraço que parece reter o universo.
O mundo já pode desabar, estou onde sempre quis estar, no único lugar em que poderia estar. Meu abrigo da chuva, esconderijo do planeta terra - o lugar mais seguro já projetado.
E na tua ancia, quase meninice, me beija o rosto. Voraz e afetuosos teus lábios percorrem as curvas do meu sorriso, pousam sobre minha face como borboletas em marcha lenta. Não temos pressa. Cada beijo é mais recheado de carrinho, e um pós outro eles tornam-se cada vez mais quentes. Entre um beijo e outro brota dos lábios um sorriso meio bobo.
Enquanto a face é brotoada de beijos tuas mãos encontram as minhas, tão natural como se fosse instinto, desses que a ciência não dá explicações. Os dedos se cruzam um a um como num balé, se encaixam perfeitamente como se fossem modelos projetados.
Finalmente exaustos de percorrerem toda extensão da face teus lábios encontram conforto entre os meus e tua língua parece querer decifrar na minha algum código escondido. Longo, quente, úmido, cheio de desejo. Algo que jamais provei igual. Uma conexão rara.
Enquanto nos envolvemos entre beijos, tuas mãos percorrem lentamente minha coluna, cada vértebra como se fosse para checar se elas estão todas lá. Elas descem sem pressa nenhuma, o tempo para até que elas cheguem na cintura onde são cautelosamente depositadas e exercem sob o meu tronco uma pressão, como se tentassem se fundir em mim, tornar-nos apenas um.
Perdidos devido a tanta informação surgem novamente os sorrisos, entre os fervorosos beijos, como se fossem confirmação de que não é apenas um sonho. Você sorri, nós sorrimos. Trocamos olhares silenciosos - eles se entendem- e voltamos de onde tínhamos parado.
Minhas mãos se perdem entre acariciar o teu rosto e teus cabelos. Não tem lógica a forma como tudo se encaixa, nem tampouco há como traduzir em palavras o que se passa por dentro dos nossos corpos. Acelera o coração, e até eles parecem bater acelerados em sincronia.
Me abraça forte e novamente o mundo para. Me olha nos olhos, sussurra "minha pequena"; Sorri e me aperta entre os braços mais uma vez. Me dá a mão e finalmente diz - "Vamos?", e eu boba, esboço apenas um sorriso e confirmo com a cabeça.
Concluímos nosso trajeto de costume enquanto conto como foi a semana e sou calada muitas vezes entre olhares que me despem e beijos que me tiram do chão.
Débora Kauane.
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